A proposta ao redigir este blog, Opinião, um texto para ler, avaliar, criticar e se posicionar, por meio de atitudes!, é de abordar assuntos que vão desde temas ambientais, profissionais e pessoais, deixando uma mensagem crítica com relação a eles e expressado mais uma de nossas FACETAS!
Não se pretende por meio da coluna obter apoio, muito pelo contrário, busca-se a avaliação, a crítica e o posicionamento dos leitores frente ao tema, exercitando a cidadania no ato de repensar nossas atitudes, fazendo com que cresçamos como pessoas. Além das críticas, sejam elas favoráveis ou contrárias a idéia apresentada no texto, o importante é que a leitura da coluna resulte em atitudes afirmativas frente ao problema tratado.
Pensar diferente não é o problema, o problema é não pensar!

domingo, 27 de abril de 2008

A Amazônia e o nosso quintal...

Moacir Jorge Rauber
Sempre que se exibe uma matéria jornalística, seja na televisão, jornal ou qualquer outro meio de comunicação sobre a Amazônia fica flagrante que o grau de destruição da floresta e de toda a biodiversidade por ela abrigada é muito maior do que se poderia imaginar. Normalmente se gera um clima de comoção geral e o despertar para uma necessidade de que é preciso fazer algo. Essa premência para se fazer algo, estimula a criação de inúmeras ONGs e outros movimentos a promoverem campanhas contra a degradação ambiental desta região. No período de exibição da Minissérie Amazônia pela Rede Globo, parte dos atores que participaram das gravações na própria floresta amazônica se mobilizaram para chamar a atenção da comunidade em geral e, quem sabe, reverter esse quadro.
Uma das iniciativas foi a divulgação de um manifesto em favor da floresta, que entre outros tantos alertas fala "a Amazônia não é o pulmão do mundo, mas presta serviços ambientais importantíssimos ao Brasil e ao Planeta. Essa vastidão verde que se estende por mais de cinco milhões de quilômetros quadrados é um lençol térmico engendrado pela natureza para que os raios solares não atinjam o solo, propiciando a vida da mais exuberante floresta da Terra e auxiliando na regulação da temperatura do Planeta". O manifesto, legítimo, relembra a morte de muitos que se opuseram as diferentes formas de exploração dessa área, produzindo um impacto imediato em diferentes esferas da sociedade brasileira e mundial. São mais artistas que se engajaram na luta; são administradores, contadores, advogados, biólogos, donas de casa, entre outros representantes das mais diversas profissões a aderirem ao manifesto, deixando sua assinatura no site
www.amazoniaparasempre.com.br. Levou as pessoas nas ruas a comentar e apontar como os grandes malfeitores, principalmente, os fazendeiros, que somente querem plantar soja e expandir suas criações de gado, atrás de um lucro fácil.
Não que eu não seja a favor da preservação da Amazônia e toda sua riqueza natural, muito pelo contrário, creio que cabe uma ação direta, objetiva e imediata por parte das autoridades brasileiras e mundiais para que se apresente uma solução definitiva para o problema, mas também me pergunto: caso esses “ambiciosos e desalmados” fazendeiros, entre outros agentes que tem alguma participação direta na destruição da Amazônia, viessem até as nossas as nossas casas, as nossas comunidades, os nossos bairros e nossas cidades, que tipo de manifesto eles poderiam fazer? Faço a pergunta por que devemos lembrar que onde hoje nós confortavelmente moramos e organizamos nossas ONGs, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Brasília, Goiânia, entre outras grandes cidades, já foi Mata Atlântica ou outro tipo de vegetação típica, tão ou mais exuberante que a própria Floresta Amazônica. Desta forma, com que direito nos arrogamos a prerrogativa de somente apontar os erros no “quintal do vizinho”, quando não sabemos cuidar do nosso? Ao mesmo tempo em que pedimos soluções para a preservação da biodiversidade presente na Floresta Amazônica, que devem ser tomadas, devemos lembrar e tomar atitudes quanto a nossa relação com o meio ambiente onde nós vivemos. Ou será necessário que os fazendeiros da Amazônia venham nos mostrar e nos lembrar, por meio de algum manifesto, como estão nossos rios e lagos que cortam nossas cidades. Devem eles também nos lembrar como estão nossas praias próximas aos grandes centros urbanos. Devem eles nos lembrar como estão nossos lixões, que contaminam os lençóis freáticos. Devem eles nos lembrar como estão nossos morros, antigos hospedeiros da floresta atlântica, irremediavelmente devastados por ocupações irregulares. Devem eles nos lembrar como utilizamos mal nosso veículos, poluindo o ar, que também é do planeta, de forma a torná-lo irrespirável. Devem eles nos lembrar de tantos outros danos ambientais que diariamente nós cometemos para manter nosso padrão de vida equivocado presente em todas as cidades brasileiras.
Também é necessário que lembremos que quando se constrói uma casa com artefatos de madeira, sempre que abrimos um litro de suco a base de soja, toda vez que comemos nossa sagrada carne de todos os dias, ou quando consumimos qualquer tipo de produto, como nossas roupas, nossos calçados, trocamos nosso carro, compramos um celular, entre outros exemplos, contribuímos para que se derrubem mais algumas árvores lá na Floresta Amazônica, mesmo que ela esteja a milhares de quilômetros de nós. Devemos lembrar que nosso padrão de consumo está muito além daquilo que o planeta nos pode suprir de recursos naturais. Devemos lembrar que se nós não mudarmos nossos desejos exacerbados de consumo, em todas as áreas, a Amazônia e outros locais onde a natureza ainda se encontra preservada, seja no Brasil ou na China, serão paulatinamente destruídos por nós. Certamente se devem tomar medidas drásticas e imediatas para que a destruição da Floresta Amazônica e de tudo que ela representa seja interrompida, mas também devemos fazer a nossa parte. Pensar em estimular ações na nossa comunidade que preservem a natureza, que se consuma menos, que se reaproveite mais. Isto porque aquele que empunha o machado, que levanta a moto-serra ou que conduz o trator que está acabando com a Floresta Amazônica é tão somente um agente, pois quem realmente derruba a árvore somos nós, consumidores.